Na era do Instagram — da rolagem infinita, dos cérebros derretidos e das mentes cada vez mais ansiosas — nos acostumamos a receber conteúdos em doses rápidas, acompanhados das descargas de dopamina que as redes sociais nos oferecem. Entre telas e notificações, deixamos escapar aquilo que temos de mais precioso: o tempo.
Quantas experiências deixamos de viver, sofrer e aprender por permanecermos trancados em uma caixa, olhando para outra caixa? Absorvemos conteúdos fúteis ou invejamos vidas que, na maioria das vezes, não têm nada a ver com a nossa realidade. E ainda assim nos perguntamos: o que essas pessoas têm de tão especial que eu não tenho?
Já me peguei desejando coisas que nunca sequer haviam feito parte dos meus sonhos. Como querer uma Ferrari — quando, na verdade, nunca quis ter uma, até ver um vídeo aleatório de alguém dirigindo uma. Pior: eu nem sequer sei dirigir, simplesmente porque ainda não tive tempo ou recursos para tirar uma carteira de motorista.
O mesmo acontece com viagens. Quantas vezes não me vi ansiando por conhecer lugares incríveis… e sim, quero e vou conhecê-los. Mas percebo o perigo do “um dia”: um dia vou conhecer a Croácia, um dia vou conhecer El Salvador. E, quando percebemos, já se passaram dez anos repetindo o mesmo “um dia”.
E veja só: talvez este texto já esteja longo demais para os padrões atuais. Talvez poucos tenham paciência para lê-lo até aqui. Afinal, a rolagem infinita exige menos tempo, menos reflexão e, aparentemente, nos dá mais prazer.
Então, por que criar um site e derramar palavras, quando deslizar o dedo na tela parece tão mais fácil?
A resposta é simples: porque não quero que meu cérebro derreta.
Não quero ser reduzida à futilidade, nem trocar o valor das experiências pela ilusão do imediatismo. Escrevo porque as palavras respiram. Elas não correm. Elas permanecem.